Os carros autónomos são uma realidade em desenvolvimento acelerado, e em 2026, Portugal deu um passo concreto nessa direção.
Em junho, entrou em vigor um Decreto-Lei que permite, pela primeira vez, testar veículos com condução autónoma nas estradas públicas nacionais.
Neste artigo, descubra o que são os carros autónomos, como funcionam, que tecnologias usam e o que muda para os condutores em Portugal e no mundo.
O Que são Carros Autónomos?
Um carro autónomo é um veículo capaz de se deslocar sem intervenção humana. Usa sensores, câmaras, radar e Inteligência Artificial (IA) para perceber o ambiente e tomar decisões de condução em tempo real.
O grande objetivo destes veículos é que façam tudo o que um condutor humano faz (travar, acelerar, mudar de faixa e respeitar sinais) de forma mais segura e consistente.
A autonomia pode ser total ou parcial, consoante o nível de automação do sistema.
Quais São os Níveis de Autonomia dos Automóveis?
A Society of Automotive Engineers (SAE) estabeleceu uma escala de seis níveis para classificar o grau de automação dos veículos autónomos.
Descubra na tabela seguinte os níveis de autonomia deste tipo de veículo.
| Nível | Designação | Quem conduz? |
| 0 | Sem automação | Condutor |
| 1 | Assistência ao condutor | Condutor, com apoio pontual do sistema |
| 2 | Automação parcial | Sistema, com supervisão do condutor |
| 3 | Automação condicional | Sistema conduz, mas o condutor intervém quando solicitado |
| 4 | Elevada automação | Sistema conduz em condições definidas, sem supervisão humana contínua |
| 5 | Automação total | Sistema conduz em qualquer condição, sem condutor |
Os níveis 0 a 2 não são considerados verdadeiramente autónomos, pois exigem sempre que o condutor supervisione e mantenha a responsabilidade pela condução. A verdadeira autonomia começa no nível 3.
Como Funcionam os Carros Autónomos?
Um veículo autónomo processa continuamente dados do ambiente à sua volta. Os sensores captam o que está à frente, atrás e dos lados. Por sua vez, a inteligência artificial interpreta essa informação e decide como o veículo deve reagir em milissegundos.
O sistema controla aceleração, travagem e direção de forma autónoma. Quando algo foge ao esperado, o veículo pode alertar o condutor para assumir o controlo ou, nos níveis mais avançados, gerir a situação sem intervenção humana.
Que Tecnologias Utilizam os Carros Autónomos?
Os veículos autónomos dependem de um conjunto de tecnologias que trabalham em conjunto:
1. LiDAR (Light Detection and Ranging)
O LiDAR cria mapas tridimensionais do ambiente em tempo real usando feixes de laser.
Este é um dos sensores mais precisos disponíveis, pois consegue detetar obstáculos com detalhe milimétrico em todas as direções. A principal desvantagem é o custo elevado, que ainda pesa no preço final dos veículos.
2. Radar
O radar deteta objetos, mede distâncias e calcula velocidades relativas. Funciona bem em condições de pouca visibilidade, tais como chuva intensa, nevoeiro ou escuridão total.
Esta tecnologia é menos precisa do que o LiDAR na definição de formas, mas mais robusto em ambientes adversos.
3. Câmaras
As câmaras leem sinais de trânsito, semáforos e marcas rodoviárias. Além disso, identificam peões, ciclistas e outros veículos com base em imagem.
São o sensor mais próximo do olho humano e, por isso, dependentes de boa iluminação e visibilidade.
4. Inteligência Artificial
A IA é o cérebro do sistema, processando em tempo real os dados de todos os sensores e tomando decisões de condução em milissegundos.
É treinada com milhões de quilómetros de dados reais e simulados para aprender a reagir a situações imprevistas.
5. Mapas de Alta Definição
Permitem ao veículo conhecer antecipadamente a geometria da via, a localização de cruzamentos e a posição de obstáculos fixos. Complementam os sensores, sobretudo em situações onde a visibilidade está limitada.
6. Conectividade V2X
A tecnologia V2X (Vehicle-to-Everything) permite a comunicação entre veículos, entre veículos e infraestrutura rodoviária, e entre veículos e outros elementos do ambiente urbano.
Permite antecipar situações de risco antes de os sensores as detetarem, como um semáforo que vai mudar ou um veículo de emergência a aproximar-se.
Existem Carros Totalmente Autónomos?
A maioria dos carros de consumo disponíveis no mercado situa-se entre o nível 2 e o nível 3. Algumas frotas de táxis autónomos, como as da Waymo, nos EUA, operam já em nível 4, mas em zonas geográficas restritas e condições controladas.
O veículo de nível 5, capaz de conduzir em qualquer lugar sem volante, ainda irá levar mais tempo. O caminho mais provável é que a autonomia total chegue primeiro através de serviços de transporte partilhado, e só depois ao carro particular.
Os Carros Autónomos Já Circulam nas Estradas?
Sim, em vários países, incluindo Portugal.
Nos Estados Unidos, a Waymo opera frotas de táxis autónomos de nível 4 em cidades como São Francisco e Phoenix. Na China, a Baidu tem serviços semelhantes em Pequim e Wuhan.
Os Carros Autónomos Podem Circular em Portugal?
Os carros autónomos não circulam livremente nas estradas portuguesas. O que o Decreto-Lei n.º 113/2026 permite é a realização de ensaios autorizados e supervisionados em vias públicas, sujeitos a licenciamento pelo IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes).
Para obter autorização, as entidades têm de cumprir requisitos técnicos rigorosos, tais como:
- Seguro de responsabilidade civil com capital mínimo quatro vezes superior ao normal;
- Registo contínuo de dados de velocidade, posição e intervenções humanas;
- Envio de relatórios ao IMT após cada ensaio.
Em suma, este diploma abre a porta para que fabricantes, laboratórios de investigação e instituições de ensino superior possam realizar testes.
Quando Chegam os Carros Autónomos a Portugal?
Não existe uma data definida para a comercialização de carros autónomos de nível 4 ou 5 em Portugal, o que já existe é o enquadramento legal para os testar, o que é o primeiro passo necessário.
A adoção em larga escala depende da maturidade da tecnologia, da regulação europeia e da confiança do público. Os especialistas estimam que os veículos autónomos de nível 3 e 4 comecem a chegar às concessionárias europeias ainda nesta década, mas a autonomia total permanece um horizonte de médio a longo prazo.
![]()
Os Carros Autónomos são Seguros?
Grande parte dos acidentes resulta de erros humanos, tais como distração, fadiga, álcool e excesso de velocidade. Um sistema autónomo bem desenvolvido não se distrai, não adormece e não conduz sob efeito de substâncias. Ainda assim, os sistemas atuais não são infalíveis.
Situações inesperadas, como obras na via pública, condições meteorológicas extremas e comportamentos imprevisíveis de peões continuam a ser um desafio. É por isso que os testes em estrada com supervisão humana são considerados indispensáveis antes de uma adoção em larga escala.
Quais são as Vantagens dos Carros Autónomos?
A grande vantagem dos automóveis autónomos são:
- Redução de acidentes rodoviários: menos erros humanos traduz-se em menos colisões e menos vítimas;
- Maior mobilidade para todos: pessoas idosas, com deficiência ou sem carta de condução passam a ter acesso a transporte autónomo;
- Menos congestionamento: sistemas coordenados de veículos autónomos podem otimizar o fluxo de tráfego;
- Redução de emissões: uma condução mais eficiente e antecipada reduz o consumo de combustível.
Quais são as Desvantagens dos Carros Autónomos?
Por sua vez, os carros sem condutor apresentam alguns desafios, tais como:
- Custo elevado: sensores como o LiDAR encarecem significativamente o preço dos veículos;
- Cibersegurança: um carro conectado é um alvo potencial para ataques informáticos;
- Confiança do público: muitos condutores ainda hesitam em ceder o controlo a um sistema automático;
- Limitações tecnológicas: condições adversas, como nevoeiro intenso, estradas sem marcações, ainda reduzem a eficácia dos sistemas;
- Impacto no emprego: a adoção em larga escala pode afetar profissões como motorista de táxi, camionista ou estafeta.
Os Carros Autónomos Vão Substituir os Condutores?
Não de forma imediata, e talvez nunca de forma total, a transição será gradual.
Durante vários anos, os condutores humanos e os veículos autónomos vão coexistir nas mesmas estradas, o que exige adaptação de ambos os lados.
A autonomia total pode chegar primeiro ao transporte de mercadorias em autoestrada, pois é um ambiente mais previsível e estruturado. No transporte urbano e pessoal, a substituição completa do condutor é um cenário de longo prazo.
O mais provável, para a maioria das pessoas, é que os próximos carros que comprarem já venham com sistemas de assistência cada vez mais avançados, até ao ponto em que conduzir seja opcional.
Quem é Responsável por um Acidente com um Carro Autónomo?
Em carros que conduzem sozinhos, o condutor continua responsável por monitorizar o trajeto e intervir sempre que necessário. Nos níveis mais avançados, os fabricantes e os desenvolvedores de software podem ser responsabilizados quando falhas sistémicas forem comprovadas.
Em Portugal, a legislação de 2026 exige um seguro de responsabilidade civil reforçado para os veículos em teste. Assim sendo, a responsabilidade civil em caso de acidente durante um ensaio recai sobre a entidade promotora do teste.
Procura saber mais sobre o mundo automóvel? Então siga-nos no Facebook e acompanhe todos os conteúdos que partilhamos diariamente.

